Acumular ou Emanar

19/04/2018

Ah, se todos nós pudéssemos viver num mundo de “leite e mel”. Todo mundo sabe o que significa essa expressão – uma terra sem cuidados, de abundância e vida fácil. Nesta presente era de pilhas de riquezas cada vez maiores e uma classe média encolhida, a maioria se contentaria com apenas isso.

No entanto, de onde surgiu esta expressão – “leite e mel”? Muito, muito tempo atrás no Antigo Testamente. Hoje, muitos milênios depois, ela continua sendo uma expressão comumente usada. A etimologia (o estudo da origem das palavras) e os idiomas podem revelar conexões fascinantes com antigas sociedades.

A expressão “leite e mel” aparece pela primeira vez em Êxodo 3.8, onde o Senhor Jeová diz a Moisés: “Por isso desci para livrá-los [meu povo] das mãos dos egípcios e tirá-los daqui para uma terra boa e vasta, onde há leite e mel com fartura: a terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus”.

Jeová tinha revelado a Abraão já há muito tempo (e muitas vezes) que ele possuiria a terra de Canaã, e “toda a terra que você está vendo” (Gn 13.15). Essa terra foi prometida por Jeová para ser dada a Abraão e seus descendentes como “propriedade perpétua” (Gn 17.8).

Porém, a primeira vez que a expressão “leite e mel” aparece na Bíblia foi uma revelação e um lembrete a Moisés, de que esta Terra Prometida estava cheia de grandes recompensas. Pode-se supor que, como Abraão já tinha vivido naquela terra, não havia a necessidade de prometer “leite e mel” a ele. Ele saberia que esse é o caso. Moisés, muitos anos depois, talvez precisasse de um incentivo de “leite e mel” – uma cenoura numa vara, por assim dizer – para seduzir os hebreus a deixarem o Egito e embarcarem no êxodo para esta nova Terra Prometida.

É certamente significante que a expressão “leite e mel” apareça exatas 21 vezes (três vezes sete) no Antigo Testamento. Com certeza é uma promessa que será mantida pelo próprio Deus (pois ainda não ocorreu plenamente).

Uma terra de excessos

Ao longo da história, a humanidade tem ativamente impulsionado o crescimento econômico através de vários meios e ganhos de produtividade. O crescimento da produção econômica (o que hoje chamamos popularmente de Produto Interno Bruto ou PIB) tornou-se uma medida geopolítica muito importante da riqueza e o indicador-chave do chamado “progresso humano”. É a essência básica do humanismo. Como tal, vivemos hoje em uma era onde muitas nações sofrem de excessos... não escassezes. Por quê?

Há muita oferta e uma demanda insuficiente. De fato, em muitos países é mais fácil comprar algo do que vender. Naturalmente, existem partes do mundo onde comprar é muito mais difícil do que vender e onde há escassez de comida. Isso não precisa ser o caso em nossos dias. Ganância, corrupção, cleptocracia e conflitos humanos, seja pela guerra ou pela competição política, são as razões de tais casos.

Não obstante, seria válido destacar que a industrialização e a motivação para o lucro, incorporada na busca do comércio e da troca, criaram um mundo de excedentes em relação aos bens de consumo e às calorias. Existem muitas provas. Com certeza, no que diz respeito a um “excesso de calorias”, uma epidemia mundial de obesidade (como anunciada pela Organização Mundial da Saúde) é uma evidência parcial (embora de modo algum deseje simplificar este complexo problema).

O “excesso de comida” me faz lembrar de um velho conto de fadas alemão. Quando criança, eu fui exposto à popular história chamada Mecki in Schlaraffenland. Anos depois, eu encontrei uma versão traduzido para o inglês, a qual eu li para os meus netos. Como com a maioria dos antigos contos de fada (irmãos Grimm, Wilhelm Busch... etc.), eles são considerados um tanto macabros para as jovens crianças dos nossos dias. De qualquer caso, Mecki vive em Schlaraffenland, que é uma terra de excessos. Leite e mel em todos os lugares... para não mencionar bacon, bolos e todos os alimentos saborosos que você possa querer comer.

Neste conto, tudo desde bacon até galinhas assadas voam direto para a boca da pessoa, se ela descuidadamente deixá-la aberta.

No entanto, um excesso de qualquer coisa não é ideal. Longe disso. Os efeitos colaterais podem incluir perda de saúde, vício, destruição da rentabilidade... etc. Nós, seres humanos, de fato temos uma propensão para grandes apetites e ambições, mas apenas uma limitada capacidade para cumpri-los. Saciedade modesta e balanceada é apreciável, mas excessos – mesmo de itens saborosos e de luxo – levam a problemas.

Inundado de leite e mel

Hoje, acredite ou não, as indústrias de leite e mel estão sofrendo de excesso de oferta. Ambas as commodities estão sendo produzidas em quantidades esmagadoras. Considere esta citação sobre a indústria do leite: “Se você já sentiu vontade de chorar pelo leite derramado, agora é a hora. Produtores de leite nos Estados Unidos derramaram mais de 43 milhões de galões de leite entre janeiro e agosto de 2016. Esse leite foi derramado em campos, lagoas de esterco e na alimentação dos animais, ou para dentro do dreno em usinas de processamento. De acordo com o Wall Street Journal, essa quantidade de leite é suficiente para encher 66 piscinas olímpicas e é a maior desperdiçada nos últimos 16 anos”. [1]

Aparentemente, há tanto excesso de leite que se poderia literalmente permitir que as pessoas se banhassem nele. Na verdade, essa era uma prática dos ultrarricos séculos atrás. Um banho de leite quente deixava a pele macia.

“O problema é que os Estados Unidos estão no meio de um massivo excesso de leite”, diz o artigo. Existe uma condição similar na Europa, que também se estende a enormes estoques de queijo. Assim como os canadenses, que, embora o suprimento de leite seja controlado, têm muito mais capacidade do que demanda.

Acredite ou não, o mundo até mesmo sofre de muito mel. (Pode haver demais de uma coisa boa?) A América está realmente transbordando de mel. No Canadá, um afluxo de mel importado da China, Zâmbia, Vietnã (e outros países) está fazendo com que muitos apicultores fechem suas lojas. O preço por atacado do mel diminuiu pela metade nos últimos anos.

A terra de “leite e mel” que estava no olhar dos antigos hebreus é hoje nada mais do que uma história pitoresca em nosso tempo de excesso. Certamente não há escassez de excessos e abundâncias.

Acumular versus Emanar

Como mencionado, excessos também podem levar a problemas. Considere estocar e acumular. Tiago comenta sobre o aparecimento, no fim dos tempos, do acúmulo: “Vocês acumularam bens nestes últimos dias” (Tg 5.3). A NTLH usa a expressão “amontoaram”. A riqueza acumulada (que deve significar um abismo cada vez maior entre “os que têm e os que não têm”) é aqui citada claramente como uma condição dos últimos dias. O armazenamento é repudiado em toda a Bíblia quando envolve negação de oferta ou ganância. Aqui, encontramos uma conexão significativa com o uso do Antigo Testamento da expressão “leite e mel”.

Mas primeiro, preciso fazer uma admissão. Anteriormente, mencionei que a expressão “leite e mel” é encontrada exatamente 21 vezes na Bíblia. Na verdade, isso está errado. Para ser exato, é a frase “terra que mana leite e mel” (ARA) que aparece 21 vezes. Em todos os casos que “leite e mel” é mencionado, está no contexto de uma “terra” na qual “leite e mel” estão emanando.

Isso é significativo. Por quê? Por uma série de razões. No entanto, queremos nos concentrar em por que a palavra “mana” é sempre incluída. A palavra “mana” implica algo sendo usado ou ativo, ou sendo distribuído. Não é algo “armazenado”. A Terra Prometida que “mana leite e mel” não era para ser um depósito de leite e mel. Leite e mel não estão sendo estocados ou acumulados, mas emanados. Eles deveriam ser consumidos e disponibilizados a todos.

A Bíblia promove emanações. Considere que a Oração do Senhor solicita especificamente que o Senhor “dá-nos hoje o nosso pão de cada dia” (Mt 6.11). Não somos instruídos a pedir uma despensa de pão que vai durar um mês, mas sim apenas para um dia. Semelhantemente, notamos que os israelitas recebiam o maná diariamente e de uma forma que não pudessem armazenar (com a exceção da porção dobrada para o Sabbath).

Pensamentos para reflexão

Os cristãos devem ser “pessoas emanantes” e não acumuladores.

A economia de Deus é composta principalmente por emanações, e não por armazéns cheios de dinheiro ocioso. Assim como Deus é amor em movimento – amor vivido –, assim deve ser com o dinheiro. É claro que precisamos economizar para as nossas necessidades antecipadas e financiar as atividades dos nossos negócios e sustento. No entanto, chega um momento em que o ato de guardar torna-se armazenar. Nesse sentido, para os santos, todo o guardar deve ser feito em um espírito de mordomia.

Em contraste, o mundo promove o espírito de acumulação; a busca da riqueza terrena como medida de sucesso; um baluarte de segurança; para satisfazer o orgulho. A maioria dos dons de Deus para nós, sejam eles dons do Espírito ou recursos materiais, são destinados para compartilharmos e abençoarmos outros através da nossa doação. Nós mesmos podemos ser uma fonte que “mana” leite e mel para aqueles que precisam.

Seja uma pessoa emanante, não uma acumuladora.

Todos os cristãos (embora talvez não sejam “israelitas”) têm a simbólica promessa de uma “terra que mana leite e mel”. Algum dia, quando chegarmos à Nova Jerusalém, “ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou. Aquele que estava assentado no trono disse: ‘Estou fazendo novas todas as coisas!’” (Ap 21.4-5). — Wilfred Hahn

O verdadeiro shalom

12/04/2018

Tendo em vista as guerras intra-árabes e o terror intraislâmico, a focalização do público mundial sobre o conflito árabe-israelense beira o cinismo.

A oração Kaddish é muitas vezes chamada de oração fúnebre judaica por ser recitada nos funerais. Além disso, ora-se o Kaddish em memória a entes queridos falecidos. Na verdade, porém, essa oração, que engrandece, santifica e glorifica de modo especial o nome de Deus, é parte de toda liturgia da sinagoga. A expectativa de que Deus estabeleça o Seu reino e que o Messias possa vir “em nossos dias” faz parte do próprio fôlego da vida judaica. O Kaddish encerra-se com um brado aos céus: “Aquele que provê paz nas alturas proveja paz sobre nós e sobre todo o Israel!”

Talvez nenhum outro país ou povo experimente como Israel a falta de paz neste mundo, sofrendo com a sua ausência e ansiando pela verdadeira paz. Por que, apesar de tudo, a terra de Israel não sossega? Não há talvez nenhuma outra região tão focalizada em esforços pela paz. Por que até hoje todos esses esforços têm sido em vão?

Há milhares de anos a Bíblia requer: “Orem pela paz de Jerusalém!” Mesmo assim, para muita gente justamente essa cidade é símbolo de guerra e sofrimento, terror e lágrimas, muros, ocupação, luta por liberdade, extremismo, intolerância e fanatismo religioso. Ao longo dos seis milênios de sua existência arqueologicamente comprovada, essa cidade, que inclui a “paz” em seu nome, foi totalmente arrasada pelo menos duas vezes, 40 vezes destruída parcialmente, sofreu 23 cercos, foi atacada 52 vezes e conquistada ou reconquistada 44 vezes. Não há dúvida de que, ao longo de sua história, Jerusalém tem sido testemunha de cenários de horror. Em alguns pontos, os escombros amontoam-se até 14 metros de altura. Israelenses jovens e com ânimo de viver são hoje muito mais atraídos a Eilat, Tel Aviv ou Haifa do que às cidades sagradas de Siquém, Hebrom ou Jerusalém.

Quem for pesquisar a paz de Jerusalém, ou melhor, a falta dela, precisa ter em mente os parâmetros em relação aos quais a situação de Israel precisa ser avaliada. Em comparação com as expectativas bíblicas de paz, evidentemente a situação atual da capital do Estado de Israel se apresenta tenebrosa. Estamos longe de uma convivência pacífica de lobos e cordeiros, leopardos e bodes, leões e gado utilitário. A vinda do Messias, que determinará paz aos povos e enxugará toda lágrima, ainda está no futuro. O brado por paz da Kaddish “na terra tal como no céu” ainda carece de resposta. Mas será que isso se aplica apenas a Jerusalém? Não se trataria da condição do mundo inteiro?

Vivemos em um mundo carente de paz. Em torno de Israel e muito além alastra-se um terrível banho de sangue. Segundo as mais cautelosas estimativas da ONU, só a guerra civil síria matou nos anos mais recentes mais pessoas do que todo o conflito árabe-israelense.

Em comparação com a violência intra-árabe e intramuçulmana, já muito antes da chamada “primavera árabe“ Israel era uma ilha de paz e estabilidade. Basta lembrar as “Camp Wars” no Líbano ao final da década de 1980, o modo como a família Assad “pacificou” cidades problemáticas como Hama ou o mais de um milhão de mortos da guerra Iraque-Irã. O rei Hussein da Jordânia matou durante o Setembro Negro de 1970 mais palestinos do que Israel nas sete décadas de sua existência. As convulsões no mundo árabe desde fins de 2011 fazem com que muitos israelenses reconheçam com gratidão: “Nosso país é um palacete de luxo em meio a uma selva mortífera”.

Mesmo numa comparação com muitas grandes cidades do Ocidente, Jerusalém fica bem posicionada. A cidade, cujo nome hebraico “Yerushalayim” significa algo como “Veremos a paz”, é de fato um modelo vívido de coexistência pacífica. Isso tanto mais se considerarmos quantas pessoas de características diferentes, quantas convicções religiosas, mentalidades, padrões de valor, teologias, ideologias e esperanças de futuro coexistem em Israel.

endo em vista o modo como outros países administram seus próprios desafios de convivência, a focalização do público mundial no “conflito do Oriente Médio” beira o cinismo. Diante da realidade aqui descrita e da quantidade de vítimas dos diversos conflitos intra-árabes, a afirmação às vezes sugerida sub-repticiamente, às vezes abertamente declarada, de que o conflito de Israel com seus vizinhos árabes seria a mãe de toda inimizade, revela-se antes como mãe de toda hipocrisia. Talvez ocorresse o inverso se com uma – certamente utópica – solução de todos os outros conflitos aquele em torno de Jerusalém se resolvesse por si?!

Além disso, não seria talvez justamente a exigência de uma solução para um conflito aquilo que vive reacendendo os conflitos? Consideremos: uma solução requer que as pessoas assumam posições definidas, cujas consequências não raramente terão de ser suportadas pelas gerações futuras. Negociações de paz cuja meta seja um acordo de status definitivo fomentam desconfiança, temores ou até agressões. Será que, diante das realidades da nossa psique e do nosso ambiente, não seria bem mais favorável ao sossego e à paz exigir menos soluções de conflitos do que uma boa e consciente administração desses conflitos? Concretamente, isto significaria para a situação no Oriente Médio congelar as pomposas iniciativas de paz e tratar de melhorar as condições de vida das pessoas por meio de pequenos passos que todos pudessem acompanhar.

No entanto, apesar dessas considerações, permanece o fato de que as controvérsias em torno do Estado judeu têm causas que as tornam singulares. Não existe na Terra nenhum outro Estado cuja aniquilação seja explicitamente exigida por um membro da ONU, propagada abertamente e elevada à condição de política de Estado. É curiosa a tranquilidade com que essa incitação é aceita pela maioria dos outros membros da ONU.

O ódio mortífero que acompanha o povo de Israel desde o início da sua existência não tem paralelo. Ele se expressou pela primeira vez nos esforços do faraó egípcio de lançar os filhos recém-nascidos aos crocodilos do Nilo para serem devorados. A campanha de aniquilação do grão-vizir Hamã, descrita no livro bíblico de Ester, foi uma primeira referência de calamidade. Sem que se possa fundamentar esse ódio racionalmente, ele se estende ao longo da hostilidade aos judeus na antiguidade, passando pela Idade Média cristã para chegar ao antissemitismo de extração racista da atualidade, com seus atrozes efeitos.

Desde 1988, o Movimento de Resistência Islâmica declara em sua Carta: “O dia do juízo final não virá até que os muçulmanos combatam e matem os judeus, até que os judeus se escondam atrás de rochas e árvores, que clamarão: ‘Muçulmano, atrás de mim se esconde um judeu; venha matá-lo!’” Com isso, o Hamas exige não só o fim do Estado de Israel, mas a aniquilação do povo judeu no mundo inteiro. É preciso lembrar que esta é uma citação da tradição das declarações e dos atos do profeta Maomé, de caráter normativo mundial para os muçulmanos ao lado do Alcorão.

A oração judaica Kaddish clama: “Oseh Shalom BiMeromav“ – Aquele que provê paz nas alturas – “Hu Ya’aseh Shalom Aleinu” – proveja a paz sobre nós! Com isso, ao orar o judeu se afasta das noções terrenas e de propostas imanentes de salvação. Sua meta não é uma paz política negociada por homens. Trata-se da abrangente e profunda shalom das alturas. Mesmo em condições de calma política é evidente o fracasso dos esforços humanos quando a razão propriamente dita da intranquilidade remonta a escrituras sagradas que os incitadores da violência consideram revelação divina. Por isso, o único que realmente pode prover a paz também continua sendo aquele “nas alturas”: “Que ele proveja paz sobre nós e sobre todo o Israel! A isso” – assim termina o Kaddish – “responda amém! — Johannes Gerloff (factum-magazin.ch)

A Resposta de Deus

05/04/2018

Como Deus reage às tensões desse mundo? A resposta é assombrosa, e a aplicação para nossa vida de fé pessoal é mais uma vez tanto desafiadora como encorajadora.

Em um noticiário, a apresentadora perguntou se nós já estamos vivendo em uma sociedade liberada. As mudanças em nossa cultura de fato são drásticas. Os valores cristãos desmoronam. O casamento, a família e a moral são redefinidos. As evoluções são marcantes. Alguém opinou que os valores e as convicções cristãs seriam simplesmente varridos pelas torrentes das tempestades do fim dos tempos. De fato, estamos vivendo em um mundo que crescentemente se desvia e afasta de Deus. As confusões são constantes e as tensões aumentam. Para muitos tudo isso é quase insuportável. Cada grande acontecimento antecipa sua sombra; assim também será a ainda vindoura grande queda após o Arrebatamento da Igreja, quando surgir o Anticristo (2Ts 2.1-12). Por isso Paulo destacou já à sua época: “A verdade é que o mistério da iniquidade já está em ação” (v. 7). Cada desvio da Palavra de Deus, cada liberalidade, cada minimização, depreciação ou difamação da Palavra de Deus, no fundo, é anticristã e já abriga em si o mistério da iniquidade. As pessoas se afastam do amor à verdade e dão lugar à mentira.

Em uma carta aberta constava o seguinte: “Será que ninguém consegue ver a evidente relação entre a decadência espiritual na terra da Reforma e o desenvolvimento político-social de nosso país? Ninguém vê a relação entre os cultos mornos, com conteúdo bíblico crítico, adaptados ao espírito da época, com falta de confissão, de entrega e de participantes com a islamização? Não há relação entre os abortos, a ganância, a exploração no mercado de capitais, a frieza nas famílias e vizinhança, a taxa de divórcios... Não existe, de fato, nenhuma relação em tudo isso?”

A resposta de Deus para aqueles que rejeitam Sua Palavra é estarrecedora. Ela será dada quando Ele tiver recolhido Sua Igreja (2Ts 2.7) e quando surgir o Anticristo (2Ts 2.8; ver também Ap 17.13): “Por essa razão Deus lhes envia um poder sedutor, a fim de que creiam na mentira e sejam condenados todos os que não creram na verdade, mas tiveram prazer na injustiça” (2Ts 2.11-12).

Esse “poder sedutor” já não está visível? Na Suécia uma pastora sugeriu que os símbolos cristãos fossem retirados das igrejas e que fossem instalados nichos de oração para os muçulmanos. Nas igrejas alemãs o tapete para orações é desenrolado ou são lidas passagens do Corão com a observação que isso equivale à Palavra de Deus. A Bíblia, porém, é renegada. Alguns até já falam de algo denominado de “crislã”. O Islamismo fundamentalista muitas vezes é minimizado e justificado, com a alegação que precisa haver disposição para o diálogo. Nesse sentido, o intelectual e crítico do Islamismo, H. Abdel-Samad, de descendência egípcia, expressou-se da seguinte maneira em uma entrevista:

“Luta-se pela livre manifestação de opinião, desde que seja a favor do Islã. Luta-se pelos direitos humanos, desde que sejam a favor do Islã. Luta-se pela igualdade de direitos, desde que seja a favor do Islã”.

Abdel-Samad necessita de mais agentes de segurança pessoal do que muitos políticos. Não há explicação para o comportamento irracional de nossa sociedade, a não ser que se acredite que seja fruto das ciladas traiçoeiras de Satanás, dos poderes e autoridades, dos dominadores deste mundo de trevas e das forças espirituais do mal (Ef 6.11-12).

Em todas as áreas podemos constatar como o mistério da iniquidade age e avança para o sucesso. O escritor George Orwell diz: “Quanto mais a sociedade se afasta da verdade, mais ela tem ódio daqueles que a expressam”. E Martinho Lutero sabia: “Não pode sobrevir ira de Deus maior do que ser despojado da Sua Palavra”. Por isso, o resultado final será exatamente esse: a verdade será “tirada” das pessoas e em seu lugar serão instituídos o Anticristo e a mentira.

Um psicólogo constatou com sobriedade: “As massas nunca estiveram sedentas pela verdade; elas se afastam dos fatos dos quais se desagradam e preferem endeusar o engano. Aquele que consegue enganá-las torna-se facilmente seu senhor. Aquele que tenta esclarecê-las torna-se sua vítima”.

A única esperança consiste na volta de Jesus e no estabelecimento do Seu reino. Karl Friedrich Hering expressou-se assim: “Não há reino de paz e justiça sem Cristo e para o mundo não há esperança sem que ele se submeta à soberania direta de Deus e de Seu Ungido”. Diante de todas as más notícias, a única notícia boa é que a Profecia Bíblica se cumpre. Ela nos informa, entre outros, que o iníquo poderá agir somente enquanto o Senhor lhe permitir e que o próprio Jesus terá a última palavra. “Eu sei que o meu Redentor vive e que no fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25).

Tudo será colocado como estrado aos pés do Senhor Jesus (Sl 110.1; Mc 12.36). Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é o Senhor (Is 45.23; Rm 14.11; Fp 2.10-11). Sim, Ele é o Senhor dos Senhores (Ap 19.16). A carta aberta já mencionada diz ainda: “Deve ser pregado com voz de trovão, em todos os púlpitos do país, que Deus ainda vive, que Deus ainda está atento, que Deus ainda reina. A fé agora está no crisol e será provada pelo fogo, e não existe lugar de descanso mais seguro e abrangente para os corações e mentes exceto perante o Trono de Deus”.

Essa é nossa esperança também em relação às ondas de refugiados dos Estados islâmicos. Já vimos anteriormente como os cristãos devem lidar com esse desafio. Observe-se ainda o seguinte: não precisamos pensar que essas pessoas simplesmente vieram; elas não viriam se Deus não as tivesse enviado (ver Am 3.6). A onda de refugiados não é um “acidente de percurso” no plano de Deus. O Novo Testamento nos ensina que devemos ir ao encontro de todas as pessoas no amor de Jesus e com disposição de ajudá-las. Devemos procurar maneiras de alcançá-las com o Evangelho. Quem somente critica e amaldiçoa não está firmado no Novo Testamento. Muitas dessas pessoas, estando longe de sua pátria islâmica, ficam muito mais abertas para o Evangelho. Todas as pessoas estão inscritas na lista de desejos de Deus. Nós, cristãos, não devemos ser parte do problema; somos convocados para sermos parte da solução. H. Abdel-Samad, já mencionado anteriormente, diz: “Não devemos deixar as pessoas (refugiadas) entregues às associações islâmicas, pois é justamente ali que elas são influenciadas e instrumentalizadas de modo conservador para o Islamismo”.

Thomas Lachenmaier frisou no periódico factum: “As más notícias são transformadas à luz da Bíblia. No final ficará evidente: a luz é mais forte do que a escuridão [...]. Tudo o que acontece – inclusive o pavor, a desobediência – foi incluído, foi inserido no Seu plano de salvação para o mundo. Todas as coisas estão nas mãos de Deus e acontecem para o bem”. Na mesma edição, Ingo Resch escreveu: “A Escritura Sagrada nos ensina que a história não é uma mera sequência casual de acontecimentos históricos inúteis”. Charles Haddon Spurgeon fala neste sentido: “Por mais escura que seja a noite, a manhã chegará”. Sendo cristãos, devemos ter sempre em mente: a vitória alcançada na cruz do Gólgota continua em vigor! Jesus voltará! “Em breve o Deus da paz esmagará Satanás debaixo dos pés de vocês. A graça de nosso Senhor Jesus seja com vocês” (Rm 16.20). — Norbert Lieth

Vitória em Jesus

29/03/2018

Quando o primeiro homem e a primeira mulher ouviram a voz da serpente e escolheram desobedecer ao Deus que os havia criado, a cortina caiu em um mundo que era perfeito. Adão e Eva então se consideraram como Deus ao criarem seus próprios padrões de bem e mal – algo que a sociedade faz com regularidade atualmente.

Mas, antes que Deus os expulsasse do Jardim do Éden, Ele sentenciou a serpente (Satanás) à derrota: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15). Esta primeira e maravilhosa promessa de Deus encontra cumprimento no Cristo ressurreto. Satanás considerou a morte de Jesus como seu próprio momento de vitória; mas, na realidade, essa foi a hora de sua maior derrota. A ressurreição estabelece Jesus como o poderoso Filho de Deus e garante a vitória final sobre a morte e sobre Satanás (Hb 2.15).

Ligada à Profecia Judaica

Embora poucas pessoas percebam isso, a ressurreição de Cristo está claramente ligada à profecia judaica. O apóstolo Paulo escreveu: “E que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Co 15.4). As Escrituras a que Paulo se refere são as Escrituras Hebraicas. O Antigo Testamento previu que o Messias iria ressuscitar dos mortos. Paulo, na verdade, explicou esse conceito à audiência de uma sinagoga, citando Salmos 2.7, Isaías 55.3; e Salmos 16.10, respectivamente:

“Nós vos anunciamos o evangelho da promessa feita a nossos pais, como Deus a cumpriu plenamente a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus, como também está escrito no Salmo segundo: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei. E, que Deus o ressuscitou dentre os mortos para que jamais voltasse à corrupção, desta maneira o disse: E cumprirei a vosso favor as santas e fiéis promessas feitas a Davi. Por isso, também diz em outro Salmo: Não permitirás que o teu Santo veja corrupção” (At 13.32-35).

A profecia sobre a ressurreição em Isaías descreve o sofrimento do Servo: “Porquanto foi cortado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo, foi ele ferido” (Is 53.8) e “Designaram-lhe a sepultura com os perversos” (Is 53.9). Depois, o profeta previu a ressurreição: “quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos” (Is 53.10). Esse Servo não permanecerá na sepultura, mas viverá para ver Sua posteridade. Apenas a ressurreição de Jesus dá sentido a essa profecia.

O Antigo Testamento também previu a ressurreição de Jesus “ao terceiro dia”. A primeira passagem a ensinar sobre tal esperança está em Oseias:

“Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. Depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dele” (Os 6.1-2).

Esta profecia fala sobre uma restauração futura para o povo de Israel. Ela também se refere ao Messias, que é a figura ideal de Israel. Como em outras passagens do Antigo Testamento que apontam para o Messias como um tipo ou uma figura, essa passagem pode ser a que Paulo tinha em mente e que profetizava a ressurreição de Jesus ao terceiro dia.

Uma outra passagem está no Livro de Jonas. Como o próprio Jesus ensinou: “Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra” (Mt 12.40). Novamente, Deus usou um tipo para apontar para a realidade; a experiência de Jonas serviu como paralelo para a experiência de Jesus.

Revertendo a Maldição

Quando Adão e Eva pecaram, Deus prometeu à humanidade um mundo cheio de dificuldades e problemas em uma Terra que havia sido amaldiçoada por causa do pecado. Ainda assim, em meio a maldições, Ele também proporcionou esperança através de um Redentor prometido (Gn 3.15). A “Semente” de Eva seria um varão humano que esmagaria a cabeça da serpente, aplicando a Satanás um golpe mortal. O calcanhar desse Homem seria machucado na luta, mas a Ele está assegurada a vitória completa. A maldição será revertida e o Éden será restaurado.

Jesus “foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos” (Rm 1.4). Sua ressurreição deu validade ao que Ele alcançou com Sua morte. O poder sobrenatural de Deus sobre a morte e sobre a serpente garante a vitória final quando Jesus Cristo retornar à Terra.

Governando Para Sempre

Nas Escrituras Hebraicas, Deus demonstrou Sua intenção de governar o mundo, dando ao povo de Israel um rei segundo o Seu coração. Davi, diferentemente de Saul que reinou antes dele, refletia um desejo profundo de agradar a Deus e de governar Israel com justiça e compaixão. Contudo, Davi não era o rei perfeito que Deus havia prometido.

Deus, de fato, fez a Davi uma promessa a respeito de um de seus descendentes: “Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre” (2 Sm 7.16). Deus prometeu que um dos filhos de Davi herdaria seu trono, e seu governo jamais terminaria. Como poderia tal promessa ser cumprida quando o reinado davídico terminou no ano 586 a.C., tendo a Babilônia conquistado o Reino de Judá?

A Aliança Davídica, a maravilhosa promessa de Deus acerca de Seu futuro Rei, encontra cumprimento em Jesus Cristo. Jesus nasceu da linhagem de Davi (Mt 1.1). O Anjo Gabriel anunciou: “Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim” (Lc 1.32-33). Entretanto, Jesus morreu, assim como morreram todos os outros reis da linhagem de Davi. O que qualifica Jesus a reivindicar o cumprimento da Aliança Davídica?

Apenas Jesus, o Filho de Davi, ressuscitou dos mortos. Paulo anunciou essa preciosa verdade ao povo judeu ao declarar que o próprio Davi predisse a ressurreição de Jesus; e então Paulo citou as palavras de Davi: “Porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” (At 2.27, citando Sl 16.10). E Paulo continua:

“Sendo, pois, profeta e sabendo que Deus lhe havia jurado que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono, prevendo isto, referiu-se à ressurreição de Cristo, que nem foi deixado na morte, nem o seu corpo experimentou corrupção. A este Jesus Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas” (At 2.30-32).

A ressurreição de Jesus garante Seu direito a reivindicar o reinado davídico. Ele governa sobre Sua igreja agora e governará sobre Israel e sobre todas as nações no Reinado vindouro.

Sua ressurreição Lhe confere direitos de rei. Jesus Cristo é “o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra (...) o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver” (Ap 1.5; Ap 2.8). Conseqüentemente, Sua ressurreição dá a todos os que creem nEle nova vida por meio da identificação que eles têm com Ele: “Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição” (Rm 6.4).

Seu reino culminará no Reino Milenar, quando “com cetro de ferro as [as nações] regerá” (Ap 2.27). A batalha de Jesus contra as forças do Diabo e contra a morte finalmente trará o Reino eterno de Deus:

“E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés” (1 Co 15.24-27).

O plano original de Deus para o Jardim do Éden será realizado com os novos céus, a nova terra e a Nova Jerusalém (Ap 21.1-2). Como falam as palavras do grande compositor de hinos do século XVIII, Charles Wesley, em seu cântico “Alegrai-vos, o Senhor é Rei”:

Jesus, o Salvador, reina;
Deus de verdade e de amor;
Quando Ele purificou nossas
manchas, Ele assentou-Se nos céus;
Erguei o coração, erguei as vozes;
Alegrai-vos, novamente digo,
alegrai-vos!

Alegrai-vos em gloriosa esperança!
Jesus, o Juiz, voltará,
E levará Seus servos
para a morada celestial.
Logo ouviremos a voz do arcanjo;
A trombeta soará, alegrai-vos!

(William L. Krewson — Israel My Gloryhttp://www.chamada.com.br)

Nota

  1. O terceiro dia é às vezes usado como o dia da esperança (Gn 22.4; 42.18; Ex 19.11; Js 3.2; 2 Rs 20.5; Et 5.1).

Cada Pessoa é Única

29/03/2018

Você é uma pessoa criada por Deus! Essa é a coroação absoluta. A Bíblia diz bem objetiva e claramente: “Criou Deus o homem à sua imagem...” (Gênesis 1.27). Deus criou as pessoas para que sejam semelhantes a ele. Para viver de maneira sensata, para amar, se alegrar e para que possam ter comunhão pessoal com ele. A Bíblia nos mostra constantemente que Deus tem o maior interesse em cada pessoa. Por isso, lemos em uma bela oração do salmista, na Bíblia: “Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Digo isso com convicção” (Salmo 139.14). Deus conhecia você antes mesmo que nascesse. E, tanto naquele tempo como hoje, Deus tem planos para você. Planos que são caracterizados pelo amor dele.

Você é amado por Deus! Deus não é nenhum monarca frio e insensível. Ele sente nossa dor, ele compartilha de nosso sofrimento. Para ele nós temos valor e somos dignos de ser amados, apesar de muitas vezes seguirmos nossos próprios caminhos. Mesmo assim, Deus ainda nos atribui muito valor e simplesmente não desiste de nos amar. Ele nos ama tanto que até permitiu que seu Filho, Jesus Cristo, morresse por nós: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1João 4.10). Pecados são atos, pensamentos e motivações que não coincidem com o caráter de Deus. O pior pecado aos olhos de Deus é o fato de querermos viver sem ele. De nos termos afastado dele e o abandonado, apesar dele ser o nosso Criador. E, por termos tanto valor para ele, Deus deseja perdoar nossos pecados para que não permaneçamos eternamente perdidos, mas que possamos estar eternamente junto dele, no céu. É tanto assim que ele ama a cada um de nós!

Receba o amor de Deus por meio de Jesus Cristo! Deus deseja nos conceder uma vida sensata. Se confessarmos os nossos pecados ao Senhor Jesus, o Filho de Deus, e lhe confiarmos nossa vida, então ele restaura aquilo que estava obstruído entre Deus e nós e faz um novo começo conosco. Você consegue reconhecer quanto valor você tem aos olhos de Deus? Percebe o quanto Deus o ama? Se você nunca havia orado a Jesus Cristo, então faça-o agora! Você não tem nada a perder, somente a ganhar. Ele venceu o pecado e até venceu a morte. Ele vive e espera por você! Ele deseja perdoar todos os seus pecados e conceder a você uma vida nova e eterna. No entanto, é necessário que você vá a ele, voluntariamente. Ore ao Senhor Jesus. Orar não significa declamar preces pré-formuladas, mas conversar com ele como se fosse uma pessoa ao seu lado, e em quem você pode confiar plenamente. Ele ouve e atende! — Rudi Joas

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 Locutor no Ar

Orlando e Edna

Jesus Cristo A Verdade Que Liberta

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